Piecemaker

Royal Underground, Turntablism, Hip-Hop Culture...

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Hip-Hop Culture

Sexta-feira, Agosto 12, 2005

Madkutz & Royalistick @ Apokalipse Produções



Como nasceu e qual o significado de Royalistick?

Não acredito que estas coisas tenham que ter um significado que te caracterize de alguma forma. É acima de tudo um nickname como qualquer um, mas acho que posso dizer que se debruça sobre a forma com que faço música, ou seja, royalistick de realistick.....mas Royal que é como que diz....realmente realístico!

Com que objectivo cantas?

Sem objectivos. Acho que em determinada altura da minha vida acreditei que seria por motivos de querer transmitir algo de mim ou da minha visão das coisas, neste momento, é apenas pela vontade e como diz o Nas : “i learn´d with some niggaz this is all bizness”.

Quais são as tuas ambiçôes, a curto e a longo prazo?

A curto prazo quero editar o meu álbum “Visão periférica” e ajudar o meu boy Madkutz a por umas mixtapes back in the days nas ruas...A longo prazo, criar um logo capaz de assegurar a continuidade do hip hop a sério em Portugal.

Foi dificil chegar onde chegaste? Tiveste o apoio de alguém?

Não acredito que tenha chegado a algum lado ainda...e possivelmente não chegarei porque no que toca a ganharmos estatuto é tudo efêmero...tens estatuto e reconhecimento um ou dois meses depois morres...quanto a apoios tenho quem me ajude e quem finja que me ajuda.

Pretendes mudar, influenciar alguém com as tuas músicas?

Só podes ajudar quem quer ser ajudado e não tento chegar á força a ninguém!...eu faço...está disponível....quem quiser ouvir ouve...quem quiser levar a sério leva!...

Qual é o teu sonho no mundo do Hip Hop?

O meu sonho é não me deixar levar em sonhos...os sonhos não nos levam a lugar nenhum!...

Se tivesses 3 desejos, quais seriam?

Criava um decreto lei a proibir a rápida ascensão no Rap tuga á pala dos beefs, comprava a Sotrop e só editava merdas wacks com esse logo.....e tirava todos os artistas Sotrop para a minha label...o que como é óbvio vai acontecer!

Tens alguma coisa a dizer às pessoas que vão ler esta entrevista?

Yes indeed!... O hip hop tuga está em mudança...escolham o vosso lado que as coisas não voltaram a ser as mesmas!





Como e porquê DJ Madkutz?

Madkutz foi um nome artístico difícil de criar para ser sincero. Dantes era “Piecemaker”, foi com esse pseudónimo que eu editei a Queens Bridge Finest… mas depois começaram a chegar as criticas ao nome, porque era um grande byte ao Tony Touch, etc… o que eu não nego, mas quando comecei com esse nome era porque sentia o trabalho dele e para mim “Piecemaker Featuring Gang Starr” é dos melhores temas da carreira do Tony Toca! Foi pura influência… mas para não haver conflitos e não ter de andar sempre a aturar os meninos chateados… criei outro nome artístico.

Porquê? Quando comecei a treinar com o meu material (Junho/Julho/Agosto) já não me lembro bem… mas foi por essas alturas, tinha a mania de todo o New School no DJing – Fazer scratch à bruta andar ali armado em grande DJ mas só saía barulho podre e fora dos tempos (risos), o Pass One dizia para eu ter calma mas eu só queria era mad cuts… (risos) então ficou MadKutz, o “K” vem da tal historia da letra “C” não existir em alguns países africanos e por ter descendência africana e visto que é daí que vem a minha veia para a musica, é uma espécie de homenagem.

Sentes o apoio devido e necessário para continuares a produzir?

Para começares/continuares a produzir não precisas de apoio, precisas é de acreditar em ti, no teu potencial, ter a plena noção que o primeiro beat está um lixo, mas que daqui a uns dias, meses, anos… podes transformar samples num clássico! Claro que preciso do apoio dos outros produtores, é sempre bom aprender e estar disposto a tal. Conheço produtores que quando dizes: “Equaliza ali…”; “Está mal samplado ali…”, etc... só não te chamam mais nomes porque não se lembraram na altura! Há que ter humildade para aprender, eu sinceramente sou daqueles que gosta de ir pelos caminhos difíceis. O Pass One, quando comecei no DJing disse-me para ir com calma, treinar cortes básicos, para esquecer a historia dos cortes rápidos e eu fiz o contrario, não segui o conselho dele, deixei andar e hoje tenho plena noção que foi um erro não lhe dar ouvidos, mas fez parte da minha evolução, eu é que gravava os meus sets de lixo e ouvia “Está mal aqui…” dava a DJ’s para criticarem e ia melhorando… Só tens de ter força de vontade e deixares ser ensinado, ninguém sabe tudo… estamos sempre a aprender!

Quais são os teus objectivos como DJ? E produtor?

Como DJ não passa de Mixtapes e participações nos trabalhos do pessoal que sentir a minha cena, não tenho problemas em trabalhar com quem quer que seja, para alem das mixtapes, quero combater os meus erros nos pratos, que continuam a ser muitos, aperfeiçoar as técnicas que já sei e explorar novas. Quanto à produção, vou dar uma de Alchemist, ficar fechado com a minha MPC2000XL durante uns tempos e depois apareço do nada… Back in the school… (risos)

O que podemos esperar do DJ Madkutz para o futuro?

Bom, o Madkutz entrou para a editora do Royalistik (Don R1) e vai começar a editar mixtapes com novo sangue do movimento Português, Americano, Húngaro, Alemão, Francês, Africa do Sul, etc…

A editora chama-se “Lucky Link Records” e a primeira mixtape vai ser “KRS-One – The Teacher” que vai sair em conjunto com a “Ambientes” do produtor que acompanho há uns anos e finalmente atingiu um nível para lá do Muito Bom (Chama-se Conecção), ele produz tipo Sam The Kid com uma fusão de Just Blaze ás vezes… e é um talento! Eu e o R1 dizemos que o puto é a chave da editora porque ele fala uma língua universal (Beat) e quando mostrei trabalhos dele a uns amigos nos USA, ficaram de boca aberta com o Funk e Soul que ele controla! Depois vou ver se distribuo beats dele pelos álbuns do pessoal com quem trabalho.

Quanto a álbuns, estou completamente concentrado no álbum do meu irmão Royalistik! Vamos entrar em estúdio agora com a força toda, vai ser um álbum cheio de surpresas, chamamos as nossas melhores connections com quem trabalhamos há uns bons anos! Por enquanto fica o sonho de criarmos um clássico, logo se vê… “Let’s Pray”, para alem do álbum do Royalistik, vou entrar numa compilação de uma nova editora tuga, não posso divulgar por enquanto, mas vai trazer novo sangue ao movimento, quanto a participações antigas, eu gravei uns scratchs para uma compilação da Africa do Sul, não me lembro quem está a organizar sinceramente, nem sei se chegaram a usa-los!

Que opinião tens do Hip Hop nacional neste momento? E que previsão tens para o futuro?

Actualmente acho que o Hiphop nacional ainda está a crescer, ainda não dá para viver do Hiphop em Portugal mas está muito melhor, no outro dia tive com o Didi dos Family na Fnac do Chiado, ele está lá a trabalhar na secção Hiphop e tivemos a trocar umas impressões, a lembrar-mos os velhos tempos e tal, e ele disse “Isto vai estar bom é para os nossos netos” (risos) e é verdade! Estamos atrás de vários países, em Espanha, Brasil, França... existem contratos que dão possibilidades ao artista de viver apenas da sua música, o Nach tem DVD/CD, quantos DVD’s de MCs/DJs temos em Portugal? Zero!! Em França já perdi as contas de quantos DVD’s e contratos milionários que os MCs da Hostile por exemplo têm! Infelizmente o nosso País tem um mercado de merda e isso afecta muito o Hiphop.

Mas se formos comparar aqueles tempos em que eras obrigado a comprar aquele CD de Rap porque só havia aquilo, com o que encontras nas lojas hoje em dia… não há comparação! Lojas cheias de CDs de Rap, bons e maus mas isso é como tudo na vida. O importante é continuar na luta… estamos verdinhos ainda, precisamos de acreditar e trazer nomes lá de fora para nos ajudarem, olha o Boss AC tem Feat do Pos dos De La Soul no último álbum, já estivemos mais longe…

Fugindo do tema, tens um dos blogs sobre Hip Hop mais "sólido", mais informativo e com mais qualidade que anda por aí, essa fasquia de qualidade é para continuar? Qual o motivo de levar o blog a avante?

Antes demais, obrigado pelas palavras simpáticas (risos). O Piecemaker blog foi criado com o intuito de ser o meu Diário Online, eu sou um gajo muito nostálgico, sempre que estou chateado com a vida, Hiphop, etc… vou ouvir aqueles clássicos do Oldschool ou um BB King para descontrair… e ás vezes escrevo sobre isso, mostro novidades que compro, sempre é mais uma maneira de divulgar novos trabalhos.

A fasquia de qualidade… para ser sincero contigo, geralmente escrevo do que me vem à cabeça, mostro a minha opinião em vários campos, pena não ter muito Feedback dos leitores, eu gosto de falar com as pessoas, aprendemos sempre algo, mesmo que eu fale com o gajo mais novato da musica, eu quando fui à Nação Hiphop falei com o RMA de musica, e claro que sou uma formiga ao pé dele, e é das poucas pessoas que dá gosto falar de musica, aprendemos bué cenas… e ambos partilhamos um grande carinho pela musica oldschool, independentemente do estilo!

O motivo de levar o blog avante… Já esteve para acabar sinceramente, ocupa um tempo precioso mas vou levando sempre que posso… admito que por vezes não tenho vontade de escrever por causa dos comentários, às vezes não comentam… ou é porque não sabem o que dizer ou porque eu já disse tudo… o que me deixa sem pica para escrever (às vezes).

Por fim, queres dizer alguma coisa ás pessoas que vão ler esta entrevista?

You wanna hate me? Hate me! What can I do? But keep gettin’ that money… Funny! I was just like you!” – Nas

…e força com o Apokalipse Produções e grupo!

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O site que nos entrevistou é: www.apokalipseproducoes.blogspot.com

Dêem uma vista de olhos porque contem entrevistas muito interessantes ao RMA, Valete, Prince Wadada, Dama Bete, Vokabulo, entre outros...

Peace